sexta-feira, 30 de julho de 2010

Lua Nova

Lua nova


Não desgarra do caminho o ninho dessa gralha

Irmã do Sol e irmã da Lua encanta o passo lento

Por dentro da mata o Uirapuru arrui o medo denso


Traz o balaio de dentro da raiz do novo passeio

Para a macaxeira encenar um toque em teu seio

Entumecida canoa de vento a balançar a tua volta


Morena em meu mergulho neste rio caldoso e nevoento

Na rede a balançar à procura do teu cheiro insuspeito

Morro de amor nas curvas deste trem a me encontrar


Num sonho perdido fui menino nos olhos do jabuti

Depois peguei o matupá nas várzeas por um acre a te achar

Demorei um longo tempo em um só beijo teu a desejar


Quisera eu num grito da arara solver o Sol em tuas ancas

Fazer crescer a castanheira nas beiras das ribanceiras ardentes

E entre carrancas uma nova Lua a cravar em tua nuca uma semente


Francimar Chaves Levino

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